quinta-feira, julho 16, 2026

A INFÂNCIA ESFACELADA: A PERVERSIDADE OCIDENTAL CONTRA AS CRIANÇAS DO MUNDO.


A alegria sempre vem depois da tristeza,
o sol brilha depois da noite escura,
Gaza será feliz, Gaza será brilhante,
Gaza será livre, Gaza viverá em paz.
(Ziad Medoukh - trecho do poema "Esperanças de Gaza", página 108).
Extraído de: Poèmes d’espoir dans la douleur  de Ziad Medoukh (2016).

Quando Ziad Medoukh — pedagogo e poeta — escreveu seus Poèmes d’espoir dans la douleur (Poemas de esperança em meio à dor), não podia ter imaginado que a dor aumentaria em níveis inimagináveis para as famílias de Gaza; a esperança teria que esperar. Ziad não abandonou seu povo. Mesmo podendo partir por ter relações no mundo francófono, o professor resolveu ficar por sua família, mas, acima de tudo, pelas crianças. 

Hoje, com 85% da infraestrutura de Gaza destruída, quase 90% da população, aglomerada na metade sul da faixa, vive em barracas. A "ajuda humanitária" controlada por Israel é pura necropolítica. Segundo Ziad — em entrevista recente a Felix Marquardt (no Neutrality Studies) — "não há vida em Gaza, só uma sobrevivência diária", e o amanhã é incerto. Mas, apesar da incerteza e da fome administrada como tática para matar qualquer esperança, Ziad diz que as crianças seguem sendo a principal inspiração para os adultos. Elas sorriem e brincam entre os escombros, estudam em meio às ruínas, sem material escolar, sem lousa na parede; a esperança pura.

Segundo a UNICEF e a OMS, cerca de 20 mil crianças foram assassinadas pelo regime israelense; contando os feridos, o número ultrapassa os 50 mil. As crianças que sobreviveram — até agora —, além dos ferimentos físicos, sofrem de desnutrição severa, orfandade, deslocamentos constantes, medo e o horror de novos ataques, uma situação que traz consequências psicológicas irreparáveis. 

As elites políticas e econômicas ocidentais são as grandes responsáveis por esta tragédia humana. Uma tragédia que não reside apenas nos perpetradores diretos da limpeza étnica e do genocídio — de um total superior a cem mil palestinos —, mas no apoio direto do Ocidente, seja fornecendo os suprimentos bélicos para a destruição, seja silenciando as vozes que denunciam o genocídio, seja ocultando as imagens ou distorcendo a "narrativa".

As crianças de Gaza são o exemplo extremo de como o discurso ocidental se manifesta de forma nefasta, uma vez que a infância é defendida prioritariamente nos países ocidentais. Existe toda uma rede de proteção à criança alemã, inglesa, belga... uma bronca mal dada por uma professora na escola pode se tornar um processo por danos emocionais. Mas as crianças palestinas sobreviventes não demovem o Ocidente. As quase 40 mil crianças congolesas trabalhando em condições desumanas em minas de cobalto — para que a Apple, Google, Tesla e outras possam seguir com seus projetos trilionários — não geram qualquer reação; a comunidade ocidental não irá propor um boicote global contra essas empresas. Ao contrário, cria-se um quadro mórbido de que tal miséria é fruto das "guerras tribais" em um "país atrasado". 

A perversidade ocidental é antiga. Desde que se converteram em impérios coloniais, os ocidentais realizaram barbaridades contra crianças e mulheres não ocidentais. No início do século XX, os alemães produziram seu primeiro grande genocídio contra os Herero e os Namaqua — no que hoje chamamos de Namíbia. Milhares de crianças morreram de desidratação e fome no deserto. As sobreviventes foram levadas para campos de concentração (como o de Shark Island), onde sofreram abusos, trabalhos forçados e foram alvo de experimentos médicos racistas brutais.

Os EUA, ao longo da Guerra no Vietnã, invadiram a vila de Sơn Mỹ em 1968. Soldados estadunidenses estupraram, torturaram e assassinaram sistematicamente centenas de mulheres; dezenas de crianças foram encurraladas em valas comuns e fuziladas à queima-roupa. Há muitos outros exemplos, mas são os casos mais recentes que nos interessam aqui.

Além das crianças palestinas, podemos olhar para o ataque aéreo dos EUA e Israel a uma escola de meninas em Minab, no sul do Irã, que matou 168 crianças e 14 professores. A insensibilidade demonstrada pelo Ocidente se converteu em críticas das elites europeias à retaliação do Irã aos aliados dos EUA no Golfo, mas não se ouviu nem uma palavra sobre as meninas de Minab.

Essa moral ocidental — que decide quais são as crianças "matáveis" e quais são as que devem ter a infância protegida — foi fundamentada no racismo. Só existe a "infância branca ocidental". As crianças negras, indígenas, eslavas, asiáticas... ou seja, a maioria das crianças do mundo, são vistas como um fruto indesejado. Elas crescerão e se tornarão uma ameaça: poderão imigrar para os países ocidentais ou, caso consigam estudar e se politizar, poderão ser responsáveis por desenvolver seus próprios países, tornando-os autônomos. Em ambos os casos, essas crianças representam um perigo para o status quo.

Por isso mesmo, desde cedo, elas devem ter apenas o mínimo para sobreviver e o mínimo de educação, de modo que se tornem mão de obra barata no futuro. Assim, quando as crianças ocidentais crescerem — devidamente educadas nesta lógica perversa —, ao se tornarem adultas, terão à sua disposição um exército de mão de obra barata para reproduzir o ciclo.
















Um comentário:

Marida disse...

🫢🧐