terça-feira, março 29, 2016

Previsões do Pai Jonão

Os búzios estão estranhos. Algo de sinistro irá acontecer em um país da América Latina (de língua portuguesa). 

Eu prevejo que a mais alta autoridade política desse país será deposta por causa de uma tal de pedaladas fiscais, segundo meus búzios, doze governadores desse mesmo país também praticaram as tais pedaladas, mas só a presidenta vai rodar. Não é estranho?

O partido que foi aliado do partido dela nos últimos 14 anos irá romper essa "parceria", e o Vice dela, que é desse partido, com a queda dela assume o país. Vixe!!

O tal do Vice é investigado por receber dinheiro ilegal, por ter conta no exterior não declarada, mas os principais meios de Comunicação desse país não tem falado disso.

O sujeito que está responsável pela da saída da presidenta também está sendo investigo por um monte de contas não declaradas no exterior. Entre os camaradas que estão ajudando ele, tem vários que são réus por diversos motivos, até desvio de merenda escolar tem gente fazendo nesse país.

Mas parece mesmo que tudo que querem é derrubar a presidenta, e vejam que não acharam nenhuma conta dela no exterior.

As imprensa de lá, diz que esses acontecimentos é pra acabar com a corrupção e mobilizaram milhões de pessoas pra protestar nas rua....tem orixá aqui rindo de doer com essa conversa mole.

Como assim, se o Vice e o outro tal de Eduardo Cunha são corruptos? E eles que vão comandar tudo! Não tô entendendo nada. Oh meu babalaô....!!

Os búzios dizem ainda, que assim que tirarem a mulher da presidência, as notícias sobre a economia serão, mais positiva sobre emprego nas industria, e o povão que foi pras rua, vão ficar quietinho em casa....afinal eles acabaram com a corrupção.

Ôxente!!! Tá dizendo aqui que encontraram um listão com centenas de políticos envolvidos desde os anos 80!!! Que o juiz mandou fazer sigilo das informações.....ummmmm ai tem!!

sábado, março 26, 2016

Sport Clube Unidos Venceremos


Se você olhasse o texto abaixo do que acharia a que se refere? Bem acredito sua primeira observação seria que se trata de esporte, futebol provavelmente. Olhando um pouco mais de perto, você iria constatar que se trata de um regulamento para um campeonato onde participarão times de vários lugares do país. Uma nova liga nacional!
Eu, porém, te diria: - Você errou feio! 
O texto abaixo que mais parece um regulamento de campeonato, é uma fórmula sarcástica de como operavam os quartéis de construções no Brasil. Foi encontrado entre os documentos do listão da Odebrecht. Leia atentamente e tente não ficar abismado.





segunda-feira, março 14, 2016

SOBRE LAVA A JATO E ZELOTES

Tenho insistido na seletividade da grande imprensa na divulgação e apuração das investigações da justiça brasileira nos casos de corrupção no país. Escrevi na minha página do Facebook ontem (dia 13/03) o seguinte:

Não é difícil concluir que todos os acontecimentos divulgados pela grande imprensa tinha um único objetivo: lotar as ruas neste domingo. A "condução coercitiva" com cobertura midiática,o pedido de prisão preventiva pelo MP de São Paulo, os vazamentos do "depoimento sigiloso" de Delcídio, o último envolvendo a Presidente Dilma na Usina de Belo Monte e até o "cofre" do Lula, tinham como finalidade aumentar o nível de revolta da classe média brasileira e usar as manifestações para pressionar o impeachment de Dilma. Mas é claro que vão dizer que eu estou vendo conspiração em tudo, que sou um esquerdopata. É claro que ignorarão a história recente desse país, que negligenciarão os interesses das grandes corporações de comunicação

Você pode estar se perguntando com que base eu afirmo isso? Eu vou responder com outra pergunta. Você já ouviu falar no nome de Célia Regina Ody Bernardes Carrer? Creio que não né? Poucos ouviram a respeito dela. E sabe por que? Ela não aparece nos noticiários, ou raramente aparece e quando citam seu nome é uma nota breve. Mas quem seria essa mulher? Ela é a juíza que foi encarregada nas investigações da Operação Zelotes, mas foi substituída no final de 2015, e o antigo juiz do caso foi recolocado, o Sr. Vallisney de Souza Oliveira. (Aposto que esse você já ouviu falar? Não também?).

O que você conhece sobre a Operação Zelotes? Nada? Pois ontem fiquei pensando sobre os 3,5 milhões de brasileiros que foram as ruas (de acordo com as estimativas das polícias e dos institutos) me perguntando se 10% desses saberiam dizer algo a respeito dessa operação. E por que eu me perguntei isso? Porque não vi uma faixa sequer de apoio a juíza Célia ou ao juiz Vallisney, assim como também não vi nenhuma faixa de apoio a Operação Zelotes.

Bem se você não sabe nada sobre isso, deixe eu te atualizar. A Operação Zelotes é uma investigação que trata de crimes financeiros, envolvendo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão ligado ao Ministério da Fazenda, que por meio de seus agentes, revertiam ou anulavam multas de grandes empresas. Eu tive o cuidado de examinar as 494 páginas do relatório elaborado pela PF. Empresas como Gerdau, Mitsubishi, Ford, os bancos Bradesco, Safra e Santander, a RBS empresa de comunicação no Paraná filiada as organizações Globo, a JBS dona da Friboi (que não é do filho do Lula) e a TIM estão entre as 74 empresas investigadas. (Para quem quiser ter acesso ao documento veja aqui: http://pt.slideshare.net/MiguelRosario/os-documentos-da-zelotes?ref=http://www.brasil247.com/pt/colunistas/migueldorosario/202567/Bomba!-Os-documentos-secretos-da-Opera%C3%A7%C3%A3o-Zelotes!.htm )

Ai você me pergunta, e o que há de tão importante nessa investigação? Que tal começarmos com os valores implicados? A estimativa da PF sobre os recursos da Operação Zelotes, os chegam a cifra de 20 bilhões de reais, isto é o dobro estimado pela mesma PF na Operação Lava a Jato. Seria engraçado se não fosse cômico não? O dobro da grana não deveria promover uma indignação dobrada? Não mereceria maior cobertura midiática? Não deveria ter organogramas das operações ilícitas em 3D com o retrato dos envolvidos? Helicópteros acompanhando as buscas e apreensões? Mas você não viu isso,viu? Nem eu.

Os nomes envolvidos na referida operação são totalmente desconhecidos do público. Monitorei nos últimos meses os principais jornais do Rio de Janeiro e São Paulo e adivinha o volume de notícias entre uma e outra operação é tão absurda quanto os 7X1 da Alemanha. Este ano a Operação Zelotes foi mencionada por alguns dias seguidos, mas apanas para citar o filho do Lula, cujo nome não apareceu nas 494 páginas que li. Depois disso a operação desapareceu novamente do noticiário dos telejornais.

O Procurador da República, Rodrigo Paiva, um dos responsáveis pela Operação Zelotes, chegou a declarou em 2105 que a referida operação não “entusiasmou o judiciário nem a mídia” e salientou sobre a necessidade de se combater a corrupção como um todo. Tal declaração suscita algumas questões: Por que uma operação dessa magnitude não “entusiasma” a grande imprensa? Por que a grande imprensa continua alimentando o mito de que a Operação Lava a Jato é o maior escândalo de corrupção da história do país? Por que os personagens que investigam a Zelotes são desconhecidos em um momento onde só se fala de corrupção? Onde estaria o Moro da Zelotes?


Por falar em juízes, eu esqueci de citar um em especial, o Sr. Ricardo Augusto Soares Leite, que foi o primeiro substituto do juiz Vallisney de Souza Oliveira, titular da 10º Vara Federal de Brasília. Diferentemente da Lava a Jato, a Operação Zelotes não sustentou um único juiz, o que nos levaria a questionar as razões para as trocas de mãos dos magistrados. O Juiz Ricardo Leite, foi denunciado por “prejudicar” as investigações da PF, negou pedidos de prisão preventiva de 26 acusados, rejeitou os pedidos de bloqueio de bens dos envolvidos e recusou-se a quebrar o sigilo dos mesmos. Substituído pela juíza Célia Bernades, a Zelotes tomou novos rumos que mereceu elogios de o Globo, já que foi ela que autorizou que as investigações se estendessem ao filho do Lula. Na ocasião o Procurador da República Rodrigo Paiva, declarou não entender a mudança do foco uma vez que o ex presidente, que foi intimado a depor, sequer constava nos autos da operação. A atuação da juíza foi questionada uma vez que a mesma seria irmã do prefeito do município de Blumenau (SC), Napoleão Bernardes do PSDB. No final de 2015 a Zelotes voltou para as mãos do titular da 10º Vara, o juiz Vallisney de Souza Oliveira. Que rumos essa operação tomará daqui pra frente? Não da para prever, mas sem a atuação da grande imprensa, dificilmente haverá apoio popular.

Que conclusões podemos chegar com essa história? Talvez você possa dizer que não existem muitos juízes como Sérgio Moro. Mas minha suposição é um pouco mais complexa que isso. A seletividade do que deve ou não deve circular na grande imprensa é realizada pelos grandes editores. No caso do Brasil, seis famílias controlam 70% dos grandes veículos de comunicação. As empresas envolvidas no esquema de corrupção investigado na Operação Zelotes, não são empreiteiras, são muito mais que isso, são os principais anunciantes da grande imprensa, são seus grandes clientes. Para se ter uma ideia dos valores contestados, o Bradesco (2,75 bilhões), o Santander (3,34 bilhões), a Ford (1,78 bilhões), a Gerdau (1,22 bilhões). Você poderia imaginar o prejuízo disso? O que aconteceria se a imprensa batesse em cima dessas investigações? Mas não é apenas isso, há entre os investigados no caso da Zelotes a própria Globo, a RBS sua filial no Paraná, está sendo investigada pela sonegação fiscal da ordem de 671 milhões de reais. A Lava a Jato, neste sentido, serviria como uma tangente, com um alvo muito mais simples de implicar, assim se pode produzir a ideia de que a corrupção no país é fruto de um determinado partido em um determinado tempo.


Jonatas Carvalho
Mestre em História.

Fontes:

Sobre a Operação Zelotes:

Lista das empresas investigadas:

Elogio de O Globo sobre a Juíza Célia Bernardes:




domingo, fevereiro 28, 2016

COMO FUI DEMITIDO DE UMA ESCOLA POR CITAR DE BRINCADEIRA QUE TERIA USADO DROGAS

Geralmente eu costumo carregar meus textos com a ironia, por acreditar que ela é uma poderosa forma de nos levar a reflexões mais profundas. Mas gostaria de pedir a você leitor, que mesmo que eu lhe pareça irônico, escrevo essas linhas com a maior serenidade. 

Na última quarta-feira (24/03) fui trabalhar normalmente na escola que começara a lecionar esse ano, seria meu segundo encontro com os alunos. Para minha surpresa, verifiquei que o horário das aulas de filosofia havia mudado para um dia que eu não havia me disponibilizado. Ao procurar o coordenador vi que ele estava meio apreensivo e me pediu para conversarmos. Disse-me que estava só aguardando a direção para ver qual “deliberação seria tomada”. 

Se você está dizendo para si mesmo “não estou entendendo nada!” Eu explico. Na minha primeira aula, me apresentei para as turmas do 8º e 9º anos como pesquisador e professor. Disse-lhes brincando que amo pesquisa, mas odeio lecionar, que só fazia aquilo para complementar a renda. Em seguida disse-lhes que realizava pesquisas em duas frentes distintas, uma era sobre uma Fazenda Jesuítica do século XVII em Cabo Frio- RJ e outra sobre a criminalização das drogas no Brasil. Que sobre esse último tema eu havia escrito um livro. Voltando a brincar com eles, falei que para a realização da minha pesquisa com drogas eu precisei experimentar todas, e que havia ficado dependente, que estava me tratando e que só usava uma pedra de crack uma vez ou outra. Comentei por fim que se tratava de uma brincadeira e em seguida mencionei sobre minhas pesquisas na Fazenda na área de história das ciências. Após essa pequena apresentação iniciei minha aula inaugural, comecei com uma dinâmica que tratava sobre paradigmas, todos participaram com entusiasmo, modestamente foram duas ótimas aulas. Eu também lecionei para o 6º e 7º anos, mas não mencionei sobre minhas pesquisas me apresentei de outra maneira para os menores. 

Ao retornar para casa, feliz pela participação das turmas nas aulas, recebi um telefonema do coordenador, algumas mães apareceram na direção para se queixar que o professor de filosofia teria feito “apologia” as drogas em sala de aula. Eu expliquei ao coordenador que não se tratava disso. O dicionário define dessa forma a palavra apologia: 

substantivo feminino 1.ret discurso ou texto em que se defende, justifica ou elogia (esp. alguma doutrina, ação, obra etc.). 2 p.ext. defesa apaixonada de (alguém ou algo) [ger. pessoa singular, incomum]; elogio, enaltecimento.

Agora sim meu caro leitor, podemos voltar ao primeiro parágrafo, sem o risco de você boiar. Eu imaginei que conversaríamos sobre o assunto, que no máximo me seria pedido para não brincar mais assim. Afinal de contas eu não fiz apologia a nada, sequer discuti ou apresentei minha posição sobre o tema, mesmo tendo sido provocado por um aluno que me perguntou se eu era contra ou a favor da descriminalização. Falei que talvez pudéssemos discutir isso em outra ocasião. Mas quando verifiquei a mudança de horário no quadro de horários eu entendi que não seria só isso. Me disseram que estavam ali para me ouvir (mas já haviam tomado uma decisão), todavia, não quis sair sem parecer que me recusava a esclarecer e resolvi falar. Comecei dizendo-lhes o quanto alguns temas ainda são tabus em pleno século XXI, são temas proibidos. Lamentei o fato de sua decisão, disse-lhes que por anos fiz consultorias para escolas públicas e privadas e geralmente eu me deparava com a total falta de conhecimento dos profissionais e como resultado, um invariável número de preconceitos sobre o tema. 

A orientadora ainda me disse que uma menina (9º ano) ficou extremamente constrangida, porque eu havia dito que ela tinha cara de quem “dava um dois”....Eu disse pra ela porque era a única que não parava de rir enquanto eu contava minha história fictícia, mas no fim da aula me aproximei dela, perguntei seu nome, estendi minha mão, ela segurou e me disse o nome, eu falei que ela era uma moça muito bonita. Repeti o gesto para outras meninas, brinquei com os meninos que vieram até a mim para se desculpar por chegar atrasados em sala.

Perguntei a diretora se eles se deram o trabalho de saber como foi minha aula. Ela contou que foi em todas as turmas e que todas, sem exceção, elogiaram a aula. Por fim, ela ainda me disse que tinha certeza que eu teria muito para oferecer e enriquecer ao projeto da escola, mas que como diretora precisou responder a altura a demanda dos pais. Enquanto eu a ouvia, podia notar o constrangimento na face do coordenador. 

Nossa sociedade ainda possui um index prohibitorum, e eu resolvi escolher para pesquisar justamente um tema que está condenado. E que sequer pode-se brincar a respeito. Só estamos autorizados a falar sobre o mesmo, se for para repetir a propaganda proibicionista, de que as drogas são ruins e devemos nos afastar delas. O tipo de discurso que sustenta essa hipocrisia, sobretudo nas camadas sociais mais elevadas, como é o caso da clientela da referida escola, onde os pais podem comprar garrafas de whisky ou conseguir receituários de substâncias psicoativas controladas. (Não estou afirmando que é o caso dos pais que se queixaram). 

Ao final de nossa conversa, eu tive sensação que se houvesse um observador ali, teria notado minha cara do tipo “não acredito que vocês estão me demitindo por isso!” e a cara deles do tipo “ não acredito que você fez isso e acha que não fez nada demais!” 

Eu não os condeno pessoalmente. Eu lamento que esses tabus ainda não tenham sido superados, que haja palavras ainda tão temidas de serem mencionadas em sala de aula. Lamento a total falta de tolerância, talvez se eu tivesse roubado um lápis de um aluno eu teria sido advertido, mas continuaria lá. Se eu tivesse xingado um aluno de acéfalo, eu seria advertido, mas a situação seria administrada pela coordenação. Mas eu mencionei a palavra proibida. Se eu tivesse dado uma cantada na diretora ou outra professora....sei lá....quantas merdas eu já testemunhei por ai nesses anos todos e que foram toleradas, foram resolvidas com diálogo. Ainda ouvi a diretora afirmar que justamente a filosofia que teve tantos candidatos (algo que me soou como: e escolhemos logo um louco), eu, embora tenha pensado, não lhe disse que não fui contratado pelos meus belos olhos, mas porque tinha um currículo que não se encontrava em qualquer esquina. Meu currículo, no entanto, foi insuficiente para me manter empregado. 

Jonatas Carvalho
Autor do livro: Regulamentação e criminalização das drogas no Brasil:A Comissão Nacional de Fiscalização de Entorpecentes - 1936-1946 - Editora Multifoco.
É pesquisador nível A pelo CNPq no projeto Espaço Charles Darwin
Professor há alguns anos.






segunda-feira, dezembro 28, 2015

CRÔNICAS DE UM ANO QUE NUNCA ACABARÁ

Hoje faz um ano que minha mãe partiu, digo hoje porque foi a última vez que eu a vi consciente, que olhei nos olhos dela. A pior lembrança que tenho desse dia não foi vê-la gritar com dor no peito, nem vê-la sendo entubada pelos médicos, foi chegar no portão da casa deles e ver as lágrimas nos olhos do meu pai quando percebeu que ela não voltara comigo. - Ela não gosta de dormir fora de casa! Exclamou chorando. Nesse período meu pai estava no meio de uma série de sessões de rádio e quimioterapia. Por alguns dias minha rotina foi levá-lo diariamente para fazer radioterapia e em seguida ir para a UTI visitar minha mãe em coma induzido. O coração da velhinha parou dia 08 de janeiro dez dias após o infarto. Uma das coisas que mais incomodou meu pai foi o fato de não poder visitar minha mãe, devido a ferida aberta no pescoço.

A partir dai até o mês de setembro travamos uma longa batalha contra o câncer de meu pai. Batalha essa que foi perdida após oito messes que minha mãezinha tinha partido, mas que assim como toda luta, trouxe-nos muitas experiências e aprendizagens. Lutas essas que não suportaríamos sem a união dos irmãos, principalmente minha irmã Janete e meu cunhado Josué. Minha irmã Sandra já vinha travando uma batalha em outro front – contra a esclerose lateral amiotrófica – que acometeu meu cunhado Moisés. Meu irmão Davi mora em outra cidade. Assim coube aos dois caçulas da família a responsabilidade de dar ao nosso velhinho um fim de vida com menos sofrimento possível. 

Também contamos com a solidariedade de centenas de amigos (um alento imensurável nessas horas), ainda assim, foram meses de muita dor. E se as batalhas nos fazem crescer e amadurecer, é porque elas nos deixam marcas profundas, marcas de dor e amor. Os ferimentos desse ano, que ainda estão cicatrizando, jamais apagarão. O ano de 2015 será um ano sem fim na minha vida (possivelmente na dos meus irmão também), é o ano que não acabou e não acabará, apesar de a vida continuar. 

Todavia o sentimento é de paz e não tristeza, ambos tiveram uma infância muito sofrida, viveram com muita simplicidade e muitos problemas, mas passaram seus últimos anos com certa paz. Meu pai costumava dizer, “meu capital são meus filhos” ele partiu bem, sabendo que os filhos haviam conquistado certa estabilidade, acima de tudo tinham se tornado pessoas de bem. Duas pessoas com baixíssima instrução escolar, cada qual com suas imperfeições, mas que nos deixaram um exemplo indispensável; viver como honestidade e dignidade mesmo nas dificuldades. 


Obrigado meu velho e minha velha!!!

Jonatas Carvalho

terça-feira, dezembro 08, 2015

Sobre impendimentos (impeachment) entre PT e PSDB.

Tenho lido muitas manifestações nas redes sociais apontando para “descaramento” dos políticos filiados ao PT e seus aliados em acusaram de “golpe” o que está ocorrendo com a Presidente Dilma. Como eles podem ousar a dizer isso? Quer dizer que quando pediram pelo impedimento de Collor e FHC não era golpe? Mas não vejo ninguém mencionar o contrário, ao que tange o posicionamento do PSDB e DEM (que na época de FHC era PFL), quanto ao seu discurso também invertido.
Mas antes de falar desses dois partidos que lutaram com todas suas forças para vetar e engavetar o pedido de impedimento de FCH, vamos refrescar a memória sobre as motivações para que FHC sofresse quatro pedidos de impeachment.
O primeiro foi pedido pelo Deputado Milton Temer (na época PT), sua razão: o PROER. O que seria isso? Algum tipo de pedaladas fiscais? Não mesmo. O PROER também conhecido por Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional. Um dois mais vergonhosos projetos da gestão FHC. A proposta era a seguinte, o governo iria dar uma ajudinha a sete bancos que estavam quebrados (dentre eles o Bamerindus, o Mercantil, o Banorte e o Banco Nacional). Para salvar as instituições bancárias o PROER fez um excelente negócio, separou ativos de passivos, isto é, os ativos (lucros e carteira de bons clientes) seriam comprados por outros bancos a um preço “justo”, já os passivos (os deficits, e prejuízos) seriam absorvidos pelo Banco Central. Ao todo, o PROER “investiu” 20 bilhões das reservas públicas. Muito dinheiro? Pouco se considerarmos os problemas advindos com a tal reestruturação, nome esse aliás que o PSDB paulista insiste ainda em usar, mas dessa vez é para fechar escolas públicas. Bem voltemos ao resultado do grande plano de salvar nossos banqueiros, para não cansar ninguém menciono apenas os 200 mil postos de trabalho que foram encerrados com a reestruturação.
Não precisamos lembrar que os bancos socorridos eram pertenciam aos amiguinhos da república, o Banco Nacional, por exemplo, aquela que patrocinava o Airton Senna, lembra? Pois é, o Banco Nacional, maior banco privado do país na época, quebrou uns dois meses após o Plano Real ter sido implantado, seus ativos foram comprados pelo Unibanco (que recentemente foi comprado pelo Itaú), já as dívidas do Nacional, chegam hoje na casa dos 30 bilhões, sim amigos, as dívidas desses bancos nunca foram pagas.
Só para encerrar, sabe os políticos do PSDB e PLF (DEM)? Bem na ocasião, foram eles que saíram em defesa da manutenção da democracia e da instituição republicana, figuras como Arthur Virgílio, Aécio Neves, Antônio Carlos Magalhães, Agripino Maia. Aécio, líder do partido na Câmara, declarou que seu grupo faria tudo para “assegurar a democracia”.
Assim meus caros, ao citar as contradições do PT não esqueçam por favor de mencionar na mesma proporcionalidade àquelas promovidas pelo PSDB e DEM….a propósito foi Michel Temer, hoje vice de Dilma, que arquivou os pedidos de impeachment contra FHC.


Jonatas Carvalho é historiador.


Quem quiser conferir algumas fontes aqui estão algumas:




http://www2.uol.com.br/JC/_1998/0111/ec0111o.htm

domingo, setembro 27, 2015

Crônicas Cancerígenas IV: o final.

Era de se esperar que um dia essas crônicas terminassem. Eu poderia ter escrito outras, pois muitas coisas ocorreram nos últimos meses, mas não tenho tido muito tempo de registrar minhas experiências. No momento em que comecei a escrever essa crônica, meu pai estava internado em uma UPA, após doze dias ele partiu definitivamente. Eu imaginava que esse dia chegaria e por mais que saibamos, nunca estamos preparados quando ele chega. Não tem um jeito fácil de passar por isso.  O câncer deteriora não apenas quem é acometido por ele, mas todos os que estão envolvidos com o doente.

Mas não quero fazer desta última crônica um discurso fúnebre, creio que seja o momento adequando para trazer aqui memórias felizes. Estas não faltarão para aqueles que conviveram com o Sr. Manoel, sujeito espirituoso, de uma simplicidade franciscana. Nunca vi aquele homem desejar mal a alguém, destilar veneno, promover discórdia, ou qualquer outra ação decadente que a raça humana utiliza. O Sr. Manoel era desprovido de maldade, às vezes chegava a ser ingênuo de tanta pureza e docilidade.
Foram muitas as lições que ele nos deixou, homem de caráter irrevogável, que nem a pobreza e a dificuldade de alimentar cinco bocas, o fez questionar seus valores. Sua grande marca era a gratidão, nunca questionava as adversidades, sólido em suas crenças acreditava que em tudo havia um propósito. Viveu uma vida de resignação ao lado de uma mulher que sofria de transtorno compulsivo obsessivo, sua paciência para com ela transcendia nossa capacidade de compreensão.

Naturalmente como qualquer pai ele cometeu erros. Fora distante e omisso, não era do tipo carinhoso com os filhos, mas demonstrava afeto. Mas não falhou mais do que eu com meus filhos, principalmente se se levar em consideração a infância que teve. Eis uma coisa que nós filhos não somos capazes de fazer enquanto somos jovens, somente a maturidade nos possibilita essa empatia com os pais. E o Sr. Manoel teve motivos de sobra para ser um homem amargurado pelo passado, mas ele escolheu viver o presente como se fosse uma dádiva. Essa arte de viver é o seu legado para todos nós. 

Jonatas carvalho é filho de Manoel Carlos de Carvalho e Helena Francisco de Carvalho com muito orgulho.