As teorias behavioristas entendem por insanidade a repetição de certos comportamentos associados a expectativa de resultados diferentes, isto é, repetir os erros e esperar que as conseqüências sejam outras.
A partir desta perspectiva poderíamos afirmar sem temor, que a sociedade é insana. Afinal, por anos repetimos todo o tipo de comportamentos sociais contraproducentes em detrimento da própria sociedade. Citarei alguns destes comportamentos no âmbito da política, e aqui defendo que, a ambição de poder e a ganância dos poderosos, estão intrinsecamente relacionadas com este tipo específico de insanidade. Vamos aos exemplos:
Apesar de a comunidade científica apontar para os problemas e conseqüências do aquecimento global desde a década de 80, os EUA não assinaram o protocolo de Kioto em 1997. O protocolo de Kioto foi conseqüência de uma sucessão de estudos e eventos internacionais, dentre estes eventos citamos a Conference on the Changing Atmosphere, (Canadá 1988), e a ECO 92, no Brasil. O comportamento insano veio a se repetir, não inteiramente, mas parcialmente no Fórum mundial do clima em Copenhagen em 2009, onde as metas apresentadas pelos países poluentes (e isto inclui o Brasil), estão longe de serem alcançadas.
Esta semana temos um exemplo mais interessante sobre este tipo de insanidade. Israel atacou um navio de ajuda humanitária em mares internacionais, matando nove pessoas, ferindo várias e até amanhã irá deportar o que restou, o que para mim não é novidade. A insanidade não está nisto, mas sim na reação internacional, ou seja, os órgãos multilaterais repudiam o ataque, alguns presidentes de países europeus condenam as ações de Israel e pedem que se retomem as negociações de paz. No Oriente médio, as populações vão às ruas, queimam as bandeiras de Israel, os líderes muçulmanos alegam “terrorismo de Estado” e incitam o povo palestino a reagir. O Conselho de Segurança da ONU condena o ataque e pede que a investigação dos fatos, enquanto os EUA evitam manifestar-se veementemente, alegando ser mais prudente aguardar os resultados das investigações.
Se olharmos os últimos ataques de Israel seguidos de morte de civis, seja em Gaza, seja nas regiões (como na Cisjordânia), onde o projeto de ampliação dos acampamentos judaicos segue com as derrubadas de casas de palestinos, a reação internacional é sempre a mesma. Entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, Israel em mais um ataque de “reação” desproporcional descarregou um bombardeio matando mais de 1.400 civis, dando início ao bloqueio a Gaza, sob a alegação de impedir que o Hamas e outros grupos recebam armas de Síria e do Irã. Passaram três anos, desde então e o bloqueio segue.
O ataque a um navio em mares internacionais, cuja tripulação seria composta de ativistas de várias nacionalidades poderá servir de “moeda de troca”, nas negociações sobre o desbloqueio a Gaza, mas está longe de ser suficiente para uma discussão mais ampla sobre a paz. Isto porque os EUA não irão pressionar Israel, já que o mesmo é o braço do Tio San na Região. Braço nuclear, diga-se de passagem, afinal Israel possui um programa nuclear clandestino, conforme o relato do professor de relações internacionais da UNB, José Flávio Saraiva, embora só o Irã receba sanções. A insanidade, nestes casos, são resultados de comportamentos motivados pela conveniência política. Conveniência esta que, implica na manutenção do status quo, dos acordos políticos e na manutenção do poder.
Esperarmos uma mudança nas relações no oriente médio que vislumbre a paz, significa esperarmos mudança nas reações dos organismos internacionais, que passa por pressionar os EUA em agir no sentido de criar o Estado Palestino. Se tal esforço não ocorrer, o que veremos por muito tempo ainda, para infelicidade do povo palestino, é a insanidade política repetindo-se ano após ano.
Jonatas C. de Carvalho.
terça-feira, junho 01, 2010
sábado, maio 29, 2010
MOVIMENTO “GENTE QUE PENSA O BRASIL”.
MOVIMENTO “GENTE QUE PENSA O BRASIL”.
Petrópolis 23 de maio de 2010.
O domingo de 23 de maio de 2010, teria tudo para mais um domingo como os outros. Café da manhã em família (na minha casa especificamente, o conceito de família aos finais de semana, ganha uma proporção, digamos, mais abrangente!), churrasco e cerveja, futebol com o Galvão e o Fantástico. Teria, mas não foi. Isto porque já no café da manhã a família à mesa (no sentido abrangente!), resolveu discutir sobre a questão do projeto “ficha limpa”, aprovado na câmara com uma conjugação verbal sínica. A indignação tomou conta do ambiente, até minha irmã caçula dizer:
– Esses deputados acham que a gente não pensa! Imediatamente ela levantou seu copo de café com leite e disse:
– Precisamos mostrar para esses caras que nós pensamos, eu pago uma fortuna de IR , então não podemos nos calar diante disto!
– Isto mesmo! Dizíamos (apenas o Josué, com uma faca de manteiga na mão e a boca cheia de bolo de côco, observava em silêncio.)
– Vamos encher a caixa de entrada desses caras com e-mails de protestos! Disse a Tati (que é parte da família abrangente dos finais de semana.)
– Podíamos criar um movimento social participativo! Sugeri.
– Isto mesmo! Vamos mostrar a eles que o povo não é burro! Disse Malau (a grande mãe da família abrangente!)
Além do Josué, Joãozinho com seu boné ao contrário, fitáva-nos ainda sonolento. Enquanto o falatório tomou conta do mesa, eu refletia sobre o que era dito. Voltei a sugerir:
– Que tal: Movimento Pela Ética Política e Social Brasileira! Continuei. – Poderíamos atuar sob duas diretrizes, ou dois eixos temáticos: Ética na Política Brasileira e Ética na Sociedade Brasileira. Na primeira, teríamos por finalidade apoiar projetos como o “ficha limpa” e a reforma política”. Na segunda, apoiaríamos todo tipo de injustiça social impetrada pelos ausência de ética do sistema capitalista brasileiro.
A discussão se alongou, eu fui eleito secretário e mentor do movimento, decidimos que o movimento criará um Blog, e usará as redes sociais da internet para atrair novos membros. O movimento será apolítico, democrático e participativo. Com a incumbência de redigir o texto de criação do movimento e suas diretrizes centrais, me levantei da mesa, nesta manhã de domingo, com a certeza de que esta família é muito unida, desajeitada, briga por qualquer razão, abrangente, mas pensa.
Jonatas C. de Carvalho é Secretário Geral do MEPSB. (Movimento Pela Ética Política e Social Brasileira).
Petrópolis 23 de maio de 2010.
O domingo de 23 de maio de 2010, teria tudo para mais um domingo como os outros. Café da manhã em família (na minha casa especificamente, o conceito de família aos finais de semana, ganha uma proporção, digamos, mais abrangente!), churrasco e cerveja, futebol com o Galvão e o Fantástico. Teria, mas não foi. Isto porque já no café da manhã a família à mesa (no sentido abrangente!), resolveu discutir sobre a questão do projeto “ficha limpa”, aprovado na câmara com uma conjugação verbal sínica. A indignação tomou conta do ambiente, até minha irmã caçula dizer:
– Esses deputados acham que a gente não pensa! Imediatamente ela levantou seu copo de café com leite e disse:
– Precisamos mostrar para esses caras que nós pensamos, eu pago uma fortuna de IR , então não podemos nos calar diante disto!
– Isto mesmo! Dizíamos (apenas o Josué, com uma faca de manteiga na mão e a boca cheia de bolo de côco, observava em silêncio.)
– Vamos encher a caixa de entrada desses caras com e-mails de protestos! Disse a Tati (que é parte da família abrangente dos finais de semana.)
– Podíamos criar um movimento social participativo! Sugeri.
– Isto mesmo! Vamos mostrar a eles que o povo não é burro! Disse Malau (a grande mãe da família abrangente!)
Além do Josué, Joãozinho com seu boné ao contrário, fitáva-nos ainda sonolento. Enquanto o falatório tomou conta do mesa, eu refletia sobre o que era dito. Voltei a sugerir:
– Que tal: Movimento Pela Ética Política e Social Brasileira! Continuei. – Poderíamos atuar sob duas diretrizes, ou dois eixos temáticos: Ética na Política Brasileira e Ética na Sociedade Brasileira. Na primeira, teríamos por finalidade apoiar projetos como o “ficha limpa” e a reforma política”. Na segunda, apoiaríamos todo tipo de injustiça social impetrada pelos ausência de ética do sistema capitalista brasileiro.
A discussão se alongou, eu fui eleito secretário e mentor do movimento, decidimos que o movimento criará um Blog, e usará as redes sociais da internet para atrair novos membros. O movimento será apolítico, democrático e participativo. Com a incumbência de redigir o texto de criação do movimento e suas diretrizes centrais, me levantei da mesa, nesta manhã de domingo, com a certeza de que esta família é muito unida, desajeitada, briga por qualquer razão, abrangente, mas pensa.
Jonatas C. de Carvalho é Secretário Geral do MEPSB. (Movimento Pela Ética Política e Social Brasileira).
quarta-feira, abril 14, 2010
Quase Famosos
Nunca me vi em um filme como quando assisti “Almost Famous" (Quase Famosos). Dirigido por Cameron Crowe, composto por um elenco merecedor de várias estatuetas, como foi com Kate Hudson, que levou o de melhor atriz coadjunvante no Globo de Ouro em 2001, seu primeiro grande prêmio. Talvez, seja porque eu tenha visto na história da personagem de Patrick Fugit, o jovem William Miller, minha própria história. Na verdade eu nunca conheci uma banda de rock tão de perto, nem faço parte da geração dos anos 70, já que nasci em 1969, mas me sinto intimamente ligado a esta geração.
Meu primeiro contato com a música foi na escola de música da igreja, meu primeiro instrumento foi o violino e eu tinha 12 anos. Hoje aprecio muito este instrumento, assisto as filarmônicas e seus solistas. Mas aos 14 anos me deparei com o instrumento que mudou minha relação com a música; a bateria. A bateria não era bem vista pelos cristãos naquela época, era um considerado “instrumento do capeta”, a teologia progressista serviu para desarticular este discurso e eu vi com meus próprios olhos a primeira bateria a entrar na minha igreja. Nunca aprendi tocar bem bateria, depois eu tentei o violão, a gaita e muitos outros, até descobrir que eu não era músico, mas apenas um apaixonado por música.
Voltando ao filme, apesar de me ver naquele garoto de 15 anos e reviver momentos mágicos da minha juventude, sei que este filme não é sobre mim, mas sobre uma geração inteira que vivenciou um momento histórico da música mundial: o advento do Rock end Roll. É um filme sobre o poder de encantamento do Rock, mas também é sobre a descoberta do amor, da ruptura da inocência, do paradoxo existencial de viver no mundo real e sonhar com uma vida livre.
A história se passa em 1973, o mundo nesta época vivia mais uma das muitas crises cíclicas do capitalismo: a crise do petróleo. Enquanto isso, Elvis Presley, mais maduro, fazia o concerto "ALOHA FROM HAWAII”. Por outro lado, foi o ano da efervescência do rock progressivo, em 1973 o Led Zeppelin lançava “Houses of the Holy” (Templos Sagrados), o Jethro Tull “A passion Play”, o Pink Floyd “Dark Side Of The Moon” e o Black Sabbath lançava “Sabbath Boody Sabbath”, só para exemplificar. Uma imansa massa de jovens vivia à sombra do Woodstock, de Hendrix, Joplin, Dilan e muitos outros.
O que me encantou neste filme, foram os olhares de perplexidade daqueles jovens diante de seus ídolos. Essa juventude, ainda hoje mal interpretada, deu uma lição ao mundo protestando contra as guerras e a exploração da pobreza. Movimentos como a “contracultura”, que teve seu inicio nos anos 60, pregava o desapego material ao detectar o fracasso do capitalismo e um reencontro com a natureza muito antes da explosão dos movimentos ecológicos. Nos EUA dos anos 1970, muitos hippies eram ex-soldados que retornam do Vietnã e não viram sentido continuar naquela vida de "time is money". Ainda sobre o filme de Crowe, não posso deixar de mencionar sua trilha sonora, é nostálgica para alguns da minha geração, contendo músicas como “Sparks” (The Who), "Tiny Dancer" (Elton John), "América" (Simon & Garfunkel), “Thats the Way” (Led Zeppelin) e muitas outras que conduzem aos amantes do Rock a uma espécie de “nirvana”.
Hoje sou um homem, que estuda e trabalha. Assisto a documentários, na maioria do tempo estou ocupado com minha atividade profissional. Ninguém suspeitaria, pela minha postura atual, mas há algo dentro de mim que me mantém ligado a um passado, inconsequente talvez, mas profundamente marcante. Toda vez que assisto a filmes como “Quase Famosos”, o adulto dentro de mim balança "e o menino me dá a mão", me levando de volta a um mundo que não existe mais, embora esteja vivo nas minhas lembranças.
sexta-feira, março 05, 2010
Meus dias de Baby Sitter (CONTINUAÇÃO)
Quarto Dia -26/02/2010.
Hoje o dia não está chuvoso, dei uma limpada no carro do patrão, encontrei uma mossa no capú, fiquei temeroso de ele achar que possa ter sido eu.
As meninas acordaram às nove, a mãe da patroa está mais tensa que nunca, o gás acabou e ela esbravejou com a Glória, por não encontrar um imantado na geladeira do disque-gás.
Eu organizei as coisas, as crianças estão brincando, fico impressionado como as duas se entendem bem. Em momento algum rolou stress, elas são maravilhosas.
Estou com saudades de casa, dos meus filhos, da minha querida esposa e da minha cama. Estou levando meus livros (uns cem livros) que trouxe de Cabo Frio, não sei onde os colocarei, mas fico feliz que estejam comigo novamente.
Comemos uma refeição “Gloriosa” (strogonoff da Glória), subiremos a serra em breve, D. Helena não para de falar neste assunto. Antes de subir, fui à escola da Ana Clara para deixar os trabalhinhos que eram dever de casa e passamos na locadora para devolver o filme que alugamos no dia anterior.
A sensação de dever cumprido é ótima, mas me sinto retribuído de verdade ao contemplar o sorriso infantil dessas meninas, ou, o brilho em seus olhares.
Para contratar este Baby Sitter ligue:
24 2222 7435 / 24 8841 9412 - 22 8826 6520
Ou envie um e-mail para:
jonatascarval@hotmail.com
babysitterposmoderna@gmail.com
Hoje o dia não está chuvoso, dei uma limpada no carro do patrão, encontrei uma mossa no capú, fiquei temeroso de ele achar que possa ter sido eu.
As meninas acordaram às nove, a mãe da patroa está mais tensa que nunca, o gás acabou e ela esbravejou com a Glória, por não encontrar um imantado na geladeira do disque-gás.
Eu organizei as coisas, as crianças estão brincando, fico impressionado como as duas se entendem bem. Em momento algum rolou stress, elas são maravilhosas.
Estou com saudades de casa, dos meus filhos, da minha querida esposa e da minha cama. Estou levando meus livros (uns cem livros) que trouxe de Cabo Frio, não sei onde os colocarei, mas fico feliz que estejam comigo novamente.
Comemos uma refeição “Gloriosa” (strogonoff da Glória), subiremos a serra em breve, D. Helena não para de falar neste assunto. Antes de subir, fui à escola da Ana Clara para deixar os trabalhinhos que eram dever de casa e passamos na locadora para devolver o filme que alugamos no dia anterior.
A sensação de dever cumprido é ótima, mas me sinto retribuído de verdade ao contemplar o sorriso infantil dessas meninas, ou, o brilho em seus olhares.
Para contratar este Baby Sitter ligue:
24 2222 7435 / 24 8841 9412 - 22 8826 6520
Ou envie um e-mail para:
jonatascarval@hotmail.com
babysitterposmoderna@gmail.com
Meus dias de Baby Sitter (CONTINUAÇÃO)
Terceiro dia 25/02/2010.
O aprendizado ao se lidar com crianças é constante, Ana e Luiza, são duplamente perspicazes. Fascina-me perceber o quanto são inteligentes e o quanto estão atentas a detalhes que sou incapaz de perceber. Não tenho dúvidas que subestimamos as crianças quanto a sua capacidade de percepção.
O ritmo das coisas por aqui está tranqüilo. A única criança desta casa que a cada dez minutos entra para interromper meus estudos tem 67 anos.
Ana ficou meio molenga para ir à escola, eu orientei a todos que não desse muita confiança, e, para variar propus um acordo; compraria esmaltes da Hannah Montana. Claro que fiz minhas exigências, elas deveriam arrumar a bagunça e obedecer ao tio, foi fácil e eu cumpri integralmente minha parte.
Com a Ana na escola, Luiza apossou-se do computador. Eu que havia acordado as 7:30h, deitei-me no sofá e assisti a uns filmes. A chuva veio, veio forte e depois ininterruptamente molhou nossa tarde de quinta-feira.
Eu e Luiza fomos buscar a Ana Clara na escola, ao sairmos das dependências da escola, Ana colheu duas flores no canto da rua e me presenteou, outra vez me comoveu. A chuva não dava trégua, propus que fizéssemos um cinema em casa, a proposta foi alegremente aprovada. Confesso que senti um frio na espinha ao entrar no Gol do Patrão com dois guarda-chuvas totalmente molhados, percebi que eu teria que limpar este carro novamente amanhã.
A chuva serviu como motivação para uma sessão de cinema, assistimos um ótimo filme, acompanhado por pão de queijo e suco. Por volta das dez, me deitei com as meninas e contei algumas histórias tenebrosas, já havia me esquecido do quanto era bom contar histórias para dormir. Elas mergulharam no sono profundamente e eu aliviado por mais esse dia.
Boa Noite meus anjinhos!!
O aprendizado ao se lidar com crianças é constante, Ana e Luiza, são duplamente perspicazes. Fascina-me perceber o quanto são inteligentes e o quanto estão atentas a detalhes que sou incapaz de perceber. Não tenho dúvidas que subestimamos as crianças quanto a sua capacidade de percepção.
O ritmo das coisas por aqui está tranqüilo. A única criança desta casa que a cada dez minutos entra para interromper meus estudos tem 67 anos.
Ana ficou meio molenga para ir à escola, eu orientei a todos que não desse muita confiança, e, para variar propus um acordo; compraria esmaltes da Hannah Montana. Claro que fiz minhas exigências, elas deveriam arrumar a bagunça e obedecer ao tio, foi fácil e eu cumpri integralmente minha parte.
Com a Ana na escola, Luiza apossou-se do computador. Eu que havia acordado as 7:30h, deitei-me no sofá e assisti a uns filmes. A chuva veio, veio forte e depois ininterruptamente molhou nossa tarde de quinta-feira.
Eu e Luiza fomos buscar a Ana Clara na escola, ao sairmos das dependências da escola, Ana colheu duas flores no canto da rua e me presenteou, outra vez me comoveu. A chuva não dava trégua, propus que fizéssemos um cinema em casa, a proposta foi alegremente aprovada. Confesso que senti um frio na espinha ao entrar no Gol do Patrão com dois guarda-chuvas totalmente molhados, percebi que eu teria que limpar este carro novamente amanhã.
A chuva serviu como motivação para uma sessão de cinema, assistimos um ótimo filme, acompanhado por pão de queijo e suco. Por volta das dez, me deitei com as meninas e contei algumas histórias tenebrosas, já havia me esquecido do quanto era bom contar histórias para dormir. Elas mergulharam no sono profundamente e eu aliviado por mais esse dia.
Boa Noite meus anjinhos!!
Meus dias de Baby Sitter (CONTINUAÇÃO)
Segundo Dia: 24/02/2010.
O dia amanheceu infernalmente quente. Eu e as meninas acordamos por volta das nove horas, mamãe e Glória já estavam a todo vapor. Creio que com a atual crise no mercado para magistério, posso iniciar um novo nicho, já que uma baby-sitter normal não faz o que eu faço. Seria necessário pensar um outro nome, já que baby-sitter não corresponde ao número de ações que sou capaz de realizar. A seguir listarei a sequência de ações que imagino uma baby-sitter normal não seria capaz de realizá-las:
- Fui comprar pão com o Cross Fox da patroa e o deixei para lavar no posto, o rapaz do posto me deixou em casa e levou o carro para uma geral (infelizmente o pão voltou no carro para o posto!)
- Passei a manhã toda retirando malwares e spywares do computador, mensagens como “seu Windows não é original”, e outros, a máquina ficou limpíssima.
- Fui limpar a piscina, já que a Ana não foi a escola, então as duas (Ana e Luiza) poderiam se divertir na água, o melhor lugar para estar nesta temperatura.
- Fui ao banco pagar a mensalidade da escola da Aninha, na ida, deixei o gol do patrão para lavar e peguei o Cross Fox da patroa, paguei a fatura, passei na farmácia para compra uma seringa de vacina para posteriormente aplicar na mãe da patroa. Retornei ao posto para buscar o gol do patrão.
- Ao chegar em casa, entrei na internet para fazer alguns exercícios da disciplina on-line do curso de graduação do patrão, fiz as aulas 1 e 2 e confirmei presença.
- Levei a Ana no Balé que durou das 19h às 20h, aguardei o término enquanto lia o texto de Michel Foucault (“Nietzsche, Freud, Marx” – Ditos e Escritos – 1967) e, conversava amistosamente com as mães das outras meninas.
- Após o Balé fomos ao Mac-Donald, as meninas compraram um Mac lanche feliz e eu um magnífico.
Acho que não é fácil encontrar um Baby-sitter com tais atribuições.
Logo após o lanche, a Ana apresentou seu primeiro sinal do dia de saudades e este Baby-sitter, pela primeira vez se comoveu. No carro, no caminho de volta, podia ouvi-la chorar, eu fazia que não estava dando atenção, tentando distraí-la. Ela se aproximou por trás do meu banco, ao olhar à esquerda, em direção ao sinto de segurança, percebi sua mãozinha próximo ao meu ombro, coloquei minha mão direita sobre a dela, dirigia somente com uma mão. Ela apertou minha mão com força, sem pronunciar uma palavra, apenas chorava baixo.
Ao chegarmos em casa, conversei com ela no carro, perguntei o que eu poderia fazer para ajudá-la, ela não sabia dizer. Então eu a coloquei no meu colo e a abracei, não me lembrava mais do poder terapêutico do abraço, aos poucos ela foi parando de chorar, ela me abraçava fortemente, aos poucos foi relaxando, ficamos ali por uns dez minutos. Entramos, ela foi tomar banho e dormiu como um anjo.
Os pais se culpam pela falta de tempo com os filhos, as mães trabalhadoras, geralmente são acusadas de buscar sucesso profissional em detrimento da maternidade. Para este humilde baby-sytter, tais críticas são fruto da hipocrisia social, visto que nossa sociedade nos impulsiona ao topo do mundo. As mulheres se queixam por terem que trabalhar tanto, mas as que se dedicam ao lar exclusivamente são olhadas como preguiçosas ou incapazes e sentem-se de um modo geral, assim como as que estão no mercado de trabalho, frustradas.
Não há formula mágica para educar filhos, os pais de hoje se culpam por ficar tempo demais longe dos filhos, mas as famílias do início do século passado, embora vivessem mais tempo juntas, não tinham a consciência da qualidade do tempo. Casava-se por acordos, não por amor, os filhos, isto é, a prole, era educada entre as famílias burguesas pelas amas de leite e empregados. Hoje sabemos que o que faz com que as crianças sejam emocionalmente saudáveis é a disponibilidade do afeto e afeto não falta a estas meninas.
O dia amanheceu infernalmente quente. Eu e as meninas acordamos por volta das nove horas, mamãe e Glória já estavam a todo vapor. Creio que com a atual crise no mercado para magistério, posso iniciar um novo nicho, já que uma baby-sitter normal não faz o que eu faço. Seria necessário pensar um outro nome, já que baby-sitter não corresponde ao número de ações que sou capaz de realizar. A seguir listarei a sequência de ações que imagino uma baby-sitter normal não seria capaz de realizá-las:
- Fui comprar pão com o Cross Fox da patroa e o deixei para lavar no posto, o rapaz do posto me deixou em casa e levou o carro para uma geral (infelizmente o pão voltou no carro para o posto!)
- Passei a manhã toda retirando malwares e spywares do computador, mensagens como “seu Windows não é original”, e outros, a máquina ficou limpíssima.
- Fui limpar a piscina, já que a Ana não foi a escola, então as duas (Ana e Luiza) poderiam se divertir na água, o melhor lugar para estar nesta temperatura.
- Fui ao banco pagar a mensalidade da escola da Aninha, na ida, deixei o gol do patrão para lavar e peguei o Cross Fox da patroa, paguei a fatura, passei na farmácia para compra uma seringa de vacina para posteriormente aplicar na mãe da patroa. Retornei ao posto para buscar o gol do patrão.
- Ao chegar em casa, entrei na internet para fazer alguns exercícios da disciplina on-line do curso de graduação do patrão, fiz as aulas 1 e 2 e confirmei presença.
- Levei a Ana no Balé que durou das 19h às 20h, aguardei o término enquanto lia o texto de Michel Foucault (“Nietzsche, Freud, Marx” – Ditos e Escritos – 1967) e, conversava amistosamente com as mães das outras meninas.
- Após o Balé fomos ao Mac-Donald, as meninas compraram um Mac lanche feliz e eu um magnífico.
Acho que não é fácil encontrar um Baby-sitter com tais atribuições.
Logo após o lanche, a Ana apresentou seu primeiro sinal do dia de saudades e este Baby-sitter, pela primeira vez se comoveu. No carro, no caminho de volta, podia ouvi-la chorar, eu fazia que não estava dando atenção, tentando distraí-la. Ela se aproximou por trás do meu banco, ao olhar à esquerda, em direção ao sinto de segurança, percebi sua mãozinha próximo ao meu ombro, coloquei minha mão direita sobre a dela, dirigia somente com uma mão. Ela apertou minha mão com força, sem pronunciar uma palavra, apenas chorava baixo.
Ao chegarmos em casa, conversei com ela no carro, perguntei o que eu poderia fazer para ajudá-la, ela não sabia dizer. Então eu a coloquei no meu colo e a abracei, não me lembrava mais do poder terapêutico do abraço, aos poucos ela foi parando de chorar, ela me abraçava fortemente, aos poucos foi relaxando, ficamos ali por uns dez minutos. Entramos, ela foi tomar banho e dormiu como um anjo.
Os pais se culpam pela falta de tempo com os filhos, as mães trabalhadoras, geralmente são acusadas de buscar sucesso profissional em detrimento da maternidade. Para este humilde baby-sytter, tais críticas são fruto da hipocrisia social, visto que nossa sociedade nos impulsiona ao topo do mundo. As mulheres se queixam por terem que trabalhar tanto, mas as que se dedicam ao lar exclusivamente são olhadas como preguiçosas ou incapazes e sentem-se de um modo geral, assim como as que estão no mercado de trabalho, frustradas.
Não há formula mágica para educar filhos, os pais de hoje se culpam por ficar tempo demais longe dos filhos, mas as famílias do início do século passado, embora vivessem mais tempo juntas, não tinham a consciência da qualidade do tempo. Casava-se por acordos, não por amor, os filhos, isto é, a prole, era educada entre as famílias burguesas pelas amas de leite e empregados. Hoje sabemos que o que faz com que as crianças sejam emocionalmente saudáveis é a disponibilidade do afeto e afeto não falta a estas meninas.
Meus dias de Baby Sitter
Há muito tempo que não escrevo aqui! Acho que é porque ninguém lê!
Mas resolvi, transcrever uma série de narrativas sobre experiências vividas recentemente.
Meus dias de Baby Sitter
Minha Irmã querida foi para a Argentina a trabalho na mesma semana que a empresa nova de meu cunhado o enviou em treinamento para Campinas. Coube-me supervisionar minha sobrinha que ficaria com minha mãe e a empregada. Quando cheguei (no Domingo), tive uma agradável surpresa ao saber que minha outra sobrinha (filha do meu irmão!), também passaria a semana conosco. Não sabia que minha família me amava a esse ponto! Deixar aquelas duas criaturinhas uma semana inteira comigo, é muita prova de amor! Não?
Primeiro dia: 23/02/2010.
Na terça eu retornava de Cabo Frio, com uma missão bem específica; levar a Aninha na psicóloga. Ao chegar descobri precisava comprar pão, também descobri que era eu que devia buscar minha sobrinha na escola. A Drª Simone pediu que adiássemos o horário de 19:50h para às 20:15h, achei ótimo pois poderia desta forma terminar de assistir o jogo do Barcelona. A luz acabou e não voltou, eu ia conferir o endereço da psicóloga na Net, dancei. Fomos obrigados a sair de casa mais cedo devido ao calor e a escuridão.
Chegamos cedo à psicóloga, errei o caminho na primeira, mas acertei na segunda tentativa. Foi tudo ótimo, ficamos fazendo hora por uma meia hora, depois verifiquei as obras de Miguel Ângelo e Salvador Dali em dois ótimos livros no consultório da Simone, enquanto aguardávamos o término da sessão. No interregno entre o fim da sessão e minhas leituras, respondia infinitas questões elaboradas pela sogra do meu cunhado.
Ao chegarmos em casa, a luz já havia retornado, tudo estava nos conformes, as meninas estavam bem, pois havíamos feito um pit stop para um picolé. Assistimos a um programa educativo antes de dormir, chamava-se “Piratas do Caribe”, onde tive a oportunidade de ensinar as meninas o real significado da pirataria. Terminado o filme, minha mãe contava histórias para as meninas no quarto, enquanto eu me espreguiçava no sofá, foi quando a Aninha veio até a mim e disse:
- Tio Jonatas...você dorme comigo lá no quarto!
- Acho que a vovó vai dormir com vocês! Respondi.
- Mas eu quero dormir com vocêêê, tio Jonatas!
Deitei ao lado da cama... as meninas logo pegaram no sono, mas ai, a luz acabou novamente e sem ela o calor tomou conta do quarto rapidamente, eram uma hora da manhã, a Aninha acordou e começou a chorar, porque estava com calor, e, porque sentia saudades de mãe e do pai. Após uma rodada de negociações sem resultados concretos, decidi apelar:
- que tal dormirmos no carro com o ar ligado???!!!
Elas toparam na hora, quarenta minutos depois retornávamos para a cama, ainda sem luz, mas as meninas estavam com muito sono e voltaram a dormir rapidamente. A luz retornou meia hora depois e eu, bom, eu perdi sono, voltei para o sofá. Tentei assistir uns programas de conteúdo adulto na TV, mas não tinha a senha, me contentei a assistir o jogo de hóquei entre Letônia e República Tcheca, o sono veio e eu apaguei.
Fim, por hoje!
Mas resolvi, transcrever uma série de narrativas sobre experiências vividas recentemente.
Meus dias de Baby Sitter
Minha Irmã querida foi para a Argentina a trabalho na mesma semana que a empresa nova de meu cunhado o enviou em treinamento para Campinas. Coube-me supervisionar minha sobrinha que ficaria com minha mãe e a empregada. Quando cheguei (no Domingo), tive uma agradável surpresa ao saber que minha outra sobrinha (filha do meu irmão!), também passaria a semana conosco. Não sabia que minha família me amava a esse ponto! Deixar aquelas duas criaturinhas uma semana inteira comigo, é muita prova de amor! Não?
Primeiro dia: 23/02/2010.
Na terça eu retornava de Cabo Frio, com uma missão bem específica; levar a Aninha na psicóloga. Ao chegar descobri precisava comprar pão, também descobri que era eu que devia buscar minha sobrinha na escola. A Drª Simone pediu que adiássemos o horário de 19:50h para às 20:15h, achei ótimo pois poderia desta forma terminar de assistir o jogo do Barcelona. A luz acabou e não voltou, eu ia conferir o endereço da psicóloga na Net, dancei. Fomos obrigados a sair de casa mais cedo devido ao calor e a escuridão.
Chegamos cedo à psicóloga, errei o caminho na primeira, mas acertei na segunda tentativa. Foi tudo ótimo, ficamos fazendo hora por uma meia hora, depois verifiquei as obras de Miguel Ângelo e Salvador Dali em dois ótimos livros no consultório da Simone, enquanto aguardávamos o término da sessão. No interregno entre o fim da sessão e minhas leituras, respondia infinitas questões elaboradas pela sogra do meu cunhado.
Ao chegarmos em casa, a luz já havia retornado, tudo estava nos conformes, as meninas estavam bem, pois havíamos feito um pit stop para um picolé. Assistimos a um programa educativo antes de dormir, chamava-se “Piratas do Caribe”, onde tive a oportunidade de ensinar as meninas o real significado da pirataria. Terminado o filme, minha mãe contava histórias para as meninas no quarto, enquanto eu me espreguiçava no sofá, foi quando a Aninha veio até a mim e disse:
- Tio Jonatas...você dorme comigo lá no quarto!
- Acho que a vovó vai dormir com vocês! Respondi.
- Mas eu quero dormir com vocêêê, tio Jonatas!
Deitei ao lado da cama... as meninas logo pegaram no sono, mas ai, a luz acabou novamente e sem ela o calor tomou conta do quarto rapidamente, eram uma hora da manhã, a Aninha acordou e começou a chorar, porque estava com calor, e, porque sentia saudades de mãe e do pai. Após uma rodada de negociações sem resultados concretos, decidi apelar:
- que tal dormirmos no carro com o ar ligado???!!!
Elas toparam na hora, quarenta minutos depois retornávamos para a cama, ainda sem luz, mas as meninas estavam com muito sono e voltaram a dormir rapidamente. A luz retornou meia hora depois e eu, bom, eu perdi sono, voltei para o sofá. Tentei assistir uns programas de conteúdo adulto na TV, mas não tinha a senha, me contentei a assistir o jogo de hóquei entre Letônia e República Tcheca, o sono veio e eu apaguei.
Fim, por hoje!
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