segunda-feira, dezembro 19, 2011

Aos meus amigos (Loucos e Santos) que trilharam comigo neste ano de 2011:

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.


Oscar Wilde

terça-feira, dezembro 13, 2011

ONTEM FOI UM DIA DE MUITAS EMOÇÕES, O LANÇAMENTO DO LIVRO FOI UM SUCESSO! A PRESENÇA DE MEUS FAMILIARES E AMIGOS E MESMO A LEMBRANÇA DAQUELES QUE NÃO PUDERAM COMPARECER ME TROUXE MUITA ALEGRIA. FOI UM GRANDE EXPERIMENTO! OBRIGADO A TODOS! 

Abaixo  a "prova" da experimentação:


   







segunda-feira, dezembro 12, 2011


Sobre dedicatórias e autógrafos.

Preciso esclarecer umas coisas sobre o lançamento do livro “Experimentadores: Michel Foucault e práticas historiográficas”. Primeiro que como já mencionei, embora seja motivo para se comemorar (não por eu ter escrito um capítulo, mas por ter tido a oportunidade de participar de um projeto ao lado de pessoas fantásticas e de elevado saber acadêmico), não é nenhum best Seller.
Ainda assim, é claro, ter um capítulo escrito nele ( cap. XI - A PRODUÇÃO DE LEIS E NORMAS SOBRE DROGAS NO BRASIL: A GOVERNAMENTALIDADE DA CRIMINALIZAÇÃO) me dá uma sensação de orgulho. O que me leva a pensar em tantas pessoas a quem eu deveria dedicar, compartilhar e agradecer este momento da minha vida. A página pós-capa do livro seria insuficiente para escrever todo esse sentimento, meus autógrafos serão modestos, mas a gratidão permanecerá até o dia da minha morte.  

Algumas pessoas me vem à mente: meus pais Manoel e Helena ambos, apesar da pouca escolaridade sempre me motivaram (sem muito sucesso) a estudar aos quais devo a vida e os exemplos de integridade; minha esposa Mariáurea, a quem devo tudo que sou hoje (tudo mesmo!!); minha irmã Janete e meu “irmão” Josué (que nas horas vagas é também meu cunhado), pela hospedagem vip em Niterói (com direito a alimentação, muita cerveja e até translado) e pelo carinho que sempre me recebem; meus professores de graduação; amigos fiéis como Eduardo (Dudu), Marcos ( Marquinho), Luciano ( Xuxu), Rogério ( Biga) e muitos outras...; Não poderia deixar de lembrar do  Beto ( meu chefe direto e amigo que sempre me apoiou e compreendeu minha vida louca); Minha querida orientadora Marilene (que me fisgou em um congresso em Cabo Frio para minha sorte), meus irmãos Davi e Sandra (duas pessoas que admiro muito).

Certamente faltam a lista acima muitos nomes, mas minha cabeça é insuficientemente e incapaz de lembrar de todos de uma vez só.

Mas dedicarei este livro aos meus dois filhos, João Mateus e Júlia, que são o que há de mais precioso na minha existência neste mundo (amo vocês!!!).

Obrigado!
Jonatas.


quarta-feira, dezembro 07, 2011

Eu queria segurar esta postagem. Queria segurar até a inauguração do livro "Experimentadores" no próximo dia 12, mas não consigo me conter de alegria. Hoje eu  postei no Blog da Fazenda Campos Novos uma notícia ainda mais importante que o livro, trata-se do tombamento federal da fazenda. Finalmente estamos sobre a proteção do  IPHAN. Ano passado, exatamente em dezembro, eu  escrevi um texto cujo título foi "O melhor ano da minha vida", eu comemorava conquistas singulares, como minha entrada para o mestrado, me lembro que terminei o texto sinalizando boas expectativas para o futuro. Não previ, nem projetei, apenas imaginei as possibilidades, como diria Kosseleck eram "horizonte de expectativas", batalhei, fui a luta, o resultado: livro e tombamento! Não poderia ser melhor (só falta o meu filhão passar na escola!!) Mas em ambas as vitórias o mérito deve ser compartilhado, no caso da Fazenda, muito mais, pois foi de fato uma luta travada por um pequeno, mas insistente grupo. Parabéns a todos pela conquista. 
Abaixo colei o texto sobre o tombamento:
 O processo de número 1.492-T-02 que foi iniciado em 2002, mas caiu em esquecimento e só foi retomado no início de 2009 com a criação do Projeto Refazendo Campos Novos, transformou-se no processo nº 01500.005719/2010-49, que trata o “tombamento federal do sítio da antiga Fazenda de Santo Inácio de Campos Novos a ser escrita nos livro do Tombo Histórico, Livro do Tombo de Belas Artes, livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico.” (Texto diário oficial da união – nº224 de 23 de novembro de 2011). Com isso, após anos de luta pela preservação de um dos patrimônios mais importantes da Região da Costa do Sol e de valor inestimável para história patrimonial fluminense, finalmente a Fazenda Campos Novos passará a gozar da proteção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.  
A luta, iniciada nos primeiros anos da década de 90 quando o então prefeito José Bonifácio desapropriou a área de 184 hectares, não teve como motivação principal o pratrimônio em si, mas a contenção dos conflitos agrários (que já havia resultado no assassinato do lider sindical Francisco Lan), a Fazenda era o símbolo da opressão, exploração do trabalhador rural e da expropriação (por meio de grilagem) das terras dos descendentes de escravos trazidos para o trabalho nas terras da fazenda.  Na ocasião, a Secretaria de Agricultura do  município foi transferida para a sede da mesma.    
No início do ano 2000 iniciou-se um projeto de transformar parte das terras da Fazenda em um aterro sanitário. A Associação de Turismo Ecológico Integrado à Arqueologia (ATEIA) por meio de seu presidente Geraldo Monteiro, reagiu ao absurdo e mobilizou a sociedade para um projeto que visava resgatar a Fazenda como símbolo histórico e cultural. Foi nesta época, graças a mobilização da ATEIA que a Fazenda foi tombada provisoriamente pelo Instituto Estadual do Patrimõnio Cultural do Rio de Janeiro – INEPAC. Nesta época foram muitos os cabofrienses que  batalharam pela preservação da Fazenda, entre eles  o então Sub-Secretário de Cultura Márcio Werneck e sua esposa  Penha Leite. No entanto, devido a falta de recursos municipais e a ausência de visão dos gestores públicos,  o esquecimento foi questão de tempo. Os anos que se seguiram a Fazenda Campos Novos passou a ser apenas o lugar onde funcionava a Secretaria de Agricultura. 
No primeiro mandato do Prefeito Marquinhos Mendes, foi nomeado para assumir a Secretaria de Agricultura o ex-vereador e militante (PT) Alfredo Barreto, este que lutara ao lado de José Bonifácio na desapropriação da Fazenda, iniciou um trabalho excepcional de aproximação entre a Fazenda e a população rural de Cabo Frio. Mas foi quando Carlos Alberto Gomes de Carvalho (Carlinhos) assumiu e SECMAA que o Projeto Refazendo Campos Novos foi criado.  Em principio criou-se um consórcio com algumas secretarias afins ( Cultura, Educação, Meio Ambiente e Turismo,  além da participação de representantes do IFF). No mesmo ano foi criado, numa parceria entre o Ministério de Ciência e Tecnologia, Departamento de Recursos Minerais e a Casa da Ciência da UFRJ, o Projeto Caminhos de Darwin, que ajudou a dar mais visibilidade a Fazenda ( Darwin se hospedou na Fazenda no séc. XIX).
Em 2009 o médico sanitarista Beto Nogueira assumiu a Secretaria de Agricultura e colocou o tombamento da Fazenda com uma das prioridades na sua gestão, colocando o historiador Jonatas Carvalho a frente do Projeto Refazendo Campos Novos. A partir daí, pessoas como o professor Ildeu Moreira do MCT e Fátima Brito da Casa da Ciência (UFRJ), assim como a geóloga Kátia Mansur da UFRJ passaram a abraçar o projeto. Por outro lado, deve-se muito aos representantes do IPHAN na região, Manoel Vieira e Ivo Barreto, este último incansável na articulação e na busca de soluções com departamentos e órgãos do Estado e União. 
Em fim o tombamento federal da Fazenda Campos Novos é uma obra coletiva, cujo resultado vem coroar a ação dos envolvidos (alguns, que devido ao curto texto não foram mencionados). Este texto é, portanto, um reconhecimento do trabalho mútuo e da preocupação de cidadãos e cidadãs com o patrimônio material e imaterial que singulariza nossa Região. Não há dúvida que foi dado um passo fundamental para a preservação deste belíssimo patrimônio, o tombamento federal, no entanto, não é garantia irrestrita da preservação, é uma etapa e deve ser celebrada com uma grande vitória, em 2012  haverá muito a se fazer, a luta  vai continuar. 

Jonatas C. de Carvalho.
Pesquisador da Fazenda Campos Novos.
     

sexta-feira, dezembro 02, 2011



 
Tenho o prazer de convidá-los para o lançamento do livro "Experimentadores: Michel Foucault e práticas historiográficas", organizado pelas Professoras: Marilene Rosa (UERJ), Magda Jaolino (UFRJ) e meu amigo Luciano Pinto (UERJ), livro este, que tive a honra de escrever um dos capítulos. 
Será uma grande satisfação recebê-los para compartilhar com vocês este momento que para mim é muito especial. O livro (modestamente) ficou uma obra muito interessante, cujo título (experimentadores) faz jus a tudo o que vivemos para publicá-lo.

Agradeço aqui de antemão a todos que contribuíram para sua publicação e o dedico a minha família (Mariáurea,João Júlia - meus queridos pais e irmãos(ãs)) e a vocês meus amigos e amigas, interlocutores (as), parceiros (as) do experimento chamado vida.


Até Lá!!! 

sexta-feira, novembro 25, 2011

Quase Homem.


Bem diz o velho ditado que para ser um homem de verdade é preciso; criar um filho, plantar uma árvore e escrever um livro. 

Quanto aos dois primeiros, creio que uma boa parte dos homens são aptos, já o último item, este exclui provavelmente 95% da população masculina no Brasil. No meu caso em particular, aos 42 anos estou muito perto de me tornar homem (acho que meio-homem), árvores já plantei várias, inclusive na adolescência eu plantei muitas, mas não podia divulgar. Sobre o filho há uma incógnita, o ditado diz "ter um filho" ou "criar um filho", não me lembro, e não estou disposto a consultar a maior divindade no assunto (o deus google) para resolver este impasse popular. De cara eu  diria que a diferença é gritante, logo se o caso for o primeiro (ter um filho), a questão é simples, mas se for o segundo (criar um filho), fica mais complexo, primeiro deve-se definir o que seria criar, para ai sim, descobrir se se criou-se bem ou não o filho. Novamente no meu caso, o meu filho(te) já está com 16 anos, muito bem criado em saúde e estatura, quanto as demais questões...é subjetivo....!! 

Pois bem, não quero entediar meus (três) leitores com divagações, importa hoje é comunicar que este que vos escreve sem qualquer critério, irá lançar no próximo dia 12 de Dezembro um livro coletivo ( cujo qual, sou autor de um capítulo) organizado pelas Professoras Marilene Rosa (UERJ/LEDDES), Magda Jaolino (UFRJ/CEMFHIS) e o Professor Luciano Rocha Pinto. O lançamento do Livro Experimentadores - Michel Foucault e Práticas Historiográficas se dará  a partir das 19 horas na Livraria da República no Museu do Catete. Eu gosto muito da livraria como do espaço que  atende  aos amigos/as, aos  familiares, inclusive as nossas crianças e até  memos aos fumantes.

Não percam esta oportunidade...!!!

Aproveito para agradecer a minha família (minha linda esposa e meus filhos amados) por terem aprendido a lidar com a minha presença/ausência; aos meus amigos, meus interlocutores, meus professores e minha orientadora Marilene Rosa. (e a CAPES que vem me bancando nestas "experimentações" rsrsrs!)


Abraços e até lá

sexta-feira, outubro 28, 2011

Por uma vida não tão hi tech


Qualquer dia desses, assistiremos as agências de notícias enlouquecidas, cada qual procurando uma exclusividade sensacionalista para conquistar a audiência da população. Com manchetes do tipo "Maníaco fuzila passageiros em ônibus intermunicipal" ou " Pânico sobre rodas" , explico.
                Lembro quando comecei a fazer minhas primeiras viagens intermunicipais , que na verdade eram de uma hora na serra entre Petrópolis e Teresópolis, mas eu ficava lendo os avisos no vidro atrás do motorista, as regras, não me lembro de todas, mas a proibição de aparelhos eletrônicos me chamava atenção pois ao lado havia um desenho de um rádio a pilha. 
Sabemos que a revolução da microeletrônica possibilitou uma mudança na vida social, alguns chegam a dizer que ela foi responsável pela queda de ditaduras nos últimos dias. São celulares com câmeras, com tv digital, twitter e outras redes sociais.  São ipods, ipads, iphone,  notebooks, netbooks,  ou seja, houve uma socialização da comunicação e aceleração da informação.  O  velho radinho a pilha,  o único aparelho capaz de incomodar  os passageiros numa viagem na minha adolescência, agora tem substitutos infinitamente mais incômodos.
Esta semana eu estava febril,  após uma semana difícil, com aulas na UERJ até as 18 horas, cheguei na Novo Rio e comprei passagem no Salutaris,  já na linha vermelha apaguei. Os ônibus de hoje, assim como nos aviões, quando reclinamos o encosto do banco, nossa cabeça fica uns dez centímetros  de quem está sentado atrás, embora meu encosto estivesse apenas parcialmente reclinado, senti uma poderosa voz dizendo - fala ai maluco! Vai rolar aquele churrasco no fim de semana ou não! Eu, apesar do susto, consegui me controlar e ninguém percebeu que pulei na poltrona com aquela voz bem nos meus ouvidos. Após alguns minutos, enquanto o passageiro do banco de trás concluía sua conversa sobre molho à campanha, eu comecei a perceber que ele não era o único, mais ao fundo eu podia ouvir uma musiquinha e ao virar levemente meu pescoço percebi que era um desses  mp7 e que o sujeito se recusava a ouvir fazendo uso de um fone.  Mais  ao fundo ainda, outra  mulher falava ao celular, a distância, porém permitia chegar a voz já suavizada até mim. Notei que além dos diálogos costumeiros  entre passageiros, o espaço no ônibus intermunicipal é preenchido pela interação tecnológica, rompendo com  a tranquilidade e o sossego de quem prefere ou necessita dormir.       
Fechei meus olhos e tentei me concentrar, minha imaginação me levou a visualizar um sonho, onde eu estressado, com febre e tentando dormir no ônibus, perdi a paciência com os passageiros  "hi tech". Saquei uma arma e comecei a atirar em todos , nos que não sabem falar baixo no celular, nos que ouviam música alta - menos no cara que estava escutando "that's the way" , Led Zeppelin - 1973 - atirei naqueles nerds irritantes que passam a viagem inteira naqueles joguinhos japoneses, atirei numa adolescente que não parava de testar os tipos de toques possíveis de seus celular, atirei em um cara que estava assistindo o dvd do Lanterna Verde, bem ele estava usando o fone, mas o filme é horrível, por fim atirei no motorista que só porque estava fechado em sua cabine, achou que podia ouvir  "A voz do Brasil" numa altura absurda. Quando o ônibus tombou eu acordei do sonho e me dei conta que a tecnologia destruiu nossa privacidade, não vai demorar as pessoas começarem surtar.